sexta-feira, 31 de março de 2017

Carta aberta às mulheres, estudantes e profissionais, que compõem a UFRN

(Foto: Internet / Letreiro Campus Universitario - UFRN)
       Queridas mulheres,
Hoje não é o dia 8 de março, mais conhecido como “Dia Internacional da Mulher”. Hoje vocês não receberam flores, nem homenagens estampadas nas redes sociais. Hoje não há propagandas na TV agradecendo pelas vossas vidas, muito menos shoppings lotados de esposos em busca do presente ideal para suas amadas. Hoje é apenas mais um dia comum de vossas rotinasVocês, possivelmente, como todos os dias, se dirigiram à Universidade Federal do Rio Grande do Norte para assistir e/ou ministrar suas aulas. Tudo aparentemente normal. Porém, caras mulheres, infelizmente hoje pode, como em um piscar de olhos, acabar se tornando o dia mais traumático de vossas vidas. Se não hoje, amanhã. Ou depois de amanhã. Ou, ainda, na semana que vem. A qualquer momento, no meio da sua rotina diária, quando você menos esperar, pode aparecer um sujeito aparentemente normal e despejar em você uma tonelada de preconceito, machismo e falta de respeito. Esse sujeito aparentemente normal pode se achar no direito de te perseguir pelos corredores da Universidade praticando aquele que podemos chamar do pior tipo de assédio: o assédio sexual. 
   “Como assim ninguém fez nada?” Perdi as contas de quantas vezes eu li essa frase, enquanto rolava os comentários de uma publicação no Facebook. 
Na última terça-feira (28), o relato de uma vítima de assédio sexual chocou os leitores da página Spotted UFRN 2.0, no Facebook. No depoimento, a moça – que preferiu não se identificar – conta o drama que viveu ao sair de sua aula na UFRN, às 12h40, e ser perseguida por um homem até a parada do ônibus Circular, próximo ao Via- Direta. O assediador despiu-se diante dela, ameaçando-a. “Tive medo, nojo, raiva, pavor. Ódio. Gritei por socorro e arremessei minha mochila nele. Gritei novamente, mas ninguém parecia me ouvir. Tive a sensação de ser uma alma penada em meio a uma multidão de pessoas vivas, pois todas olhavam, mas ninguém fazia nada. ABSOLUTAMENTE NADA!”, declara a estudante. 
  Como a vítima não se identificou, não há comprovações de que o relato seja verídico. No entanto, sendo verdade ou não, esse depoimento me causou repúdio e medo. Além disso, me chamou atenção os comentários dos internautas na publicação. Enquanto algumas mulheres questionavam o porquê de ninguém ter feito nada diante daquela situação absurda, outras se solidarizavam e testemunhavam dramas reais, semelhantes a esse, que também viveram dentro da UFRN. Na sala de aula, nos corredores, nos banheiros, nas paradas de ônibus, no Circular. De dia, de tarde, de noite. O assédio sexual dentro da Universidade, infelizmente, existe. Isso é real! E, assim como aquelas quase 600 pessoas que comentaram a publicação, o questionamento revoltante que me vem à mente é: “Como assim ninguém faz nada?” 
  Por isso, mulheres, faço um apelo a vocês. Vamos unir nossas forças e fazer alguma coisa. Não podemos permitir que mais casos como esse se repitam. Precisamos estar atentas umas às outras e procurar ouvir os pedidos de socorro que ecoam pelos mais diversos lugares daquela instituição. Ouçamos os gritos, mas também enxerguemos os passos apressados e os olhares apreensivos. Não nos calemos diante da perseguição e da falta de respeito que, por vezes, nos rodeiam. Que possamos ter a certeza de que não estamos sozinhas, de modo a não permitir que, diante de situações como a que foi relatada, o grito da vítima seja abafado. Só nós, mulheres, sabemos como é difícil, todos os dias, sair de casa carregando consigo um medo de, a qualquer momento, um sujeito aparentemente normal surgir ao nosso lado com a intenção de fazer uma crueldade. Só nós, mulheres, sabemos o que é se sentir vulnerável em absolutamente todos os lugares que frequenta. Na universidade, no trabalho, na rua, em qualquer lugar.  
  Portanto, queridas mulheres, não nos calemos diante de situações como essa e tenhamos a atitude de denunciar todos os casos de assédio que presenciarmos. Assim, daremos o primeiro passo rumo a uma sociedade livre de “sujeitos aparentemente normais” que destroem o nosso psicológico, o nosso corpo e, principalmente, a nossa vida.
Letícia França

Para os casos que ocorrerem no interior da UFRN, procure a segurança local ou, ainda, denuncie por meio da Ouvidoria. Além disso, é importante se dirigir à delegacia mais próxima e registrar um Boletim de Ocorrência.

*Texto produzido para a disciplina de Língua Portuguesa, no curso de Jornalismo da UFRN.

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